O impacto do COVID-19 na qualidade do ar em ambientes internos

por | 4 Maio 2020 | Notícias

SENAI publica um guia com as recomendações para a utilização correta dos sistemas AVAC-R.

IMPACTO DO COVID-19 NA QUALIDADE DO AR INTERIOR E RECOMENDAÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DE SISTEMAS DE AVAC-R

C. de A. MOURA¹; F. C. da S. FRANCO¹; F. E. CORREIA¹; F. G. de MACEDO¹; J. M. DELCIDIO¹; M. G. da SILVA¹, E. M. F. e

SOUZA¹ & O. de S. BUENO²

¹Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, Escola “SENAI Oscar Rodrigues Alves”, São Paulo, São Paulo, Brasil

²Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento – ABRAVA, São Paulo, São Paulo, Brasil CORRESPONDÊNCIA DOS AUTORES. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Escola “SENAI Oscar Rodrigues Alves”, São Paulo, São Paulo, Brasil.

31 de março de 2020.

Com o constante desenvolvimento tecnológico, projetistas vem utilizando diversas estratégias que visam proporcionar o conforto térmico adequado em ambientes, e, por sua vez, o condicionamento de ar tem uma parcela fundamental para um projeto eficaz.

A Associação Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado (ASHRAE) define que o conforto térmico é “O estado de espírito que expressa satisfação com o ambiente térmico” [1].

O condicionamento de ar, de acordo com Creder (2004), de um modo geral, visa controlar a temperatura, umidade relativa, velocidade e pureza do ar [2].

A ABNT NBR 16401 partes 1, 2 e 3 estabelece parâmetros para projetos das instalações, conforto térmico e qualidade do ar interior respectivamente.

No entanto, se caso não houver um projeto de máquinas e de instalação, bem como um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) adequados, os equipamentos de climatização podem eventualmente causar desde o desconforto térmico até a proliferação de doenças virais.

Devido a pandemia anunciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 11/03/2020, causada pelo novo coronavírus (COVID-19) e do crescente número de pessoas infectadas pelo vírus no Brasil e no mundo, a Escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” especializada em sistemas de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração (AVAC-R) vem por meio deste documento reforçar informações sobre o impacto do vírus na qualidade do ar interior de ambientes e recomendar ações para minimizar a contaminação por vias aéreas que podem ser eventualmente proliferadas por sistemas de climatização e ventilação/exaustão.

MEIOS DE TRANSMISSÃO DO VÍRUS E SUAS CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS DE SOBREVIVÊNCIA

De acordo com a ASHRAE, doenças virais são transmitidas por meio de contato direto1 ou indireto2 [3]. A Federação Europeia de Aquecimento, Ventilação e Ar condicionado (REHVA), acrescenta que uma terceira rota de transmissão está ganhando atenção entre os cientistas que é a fecal-oral [4], já o Ministério da Saúde reforça que a forma de transmissão costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato direto ou indireto [5].

A figura 1 ilustra as rotas de transmissão do vírus.

Além do método de transmissão, é importante destacar que um estudo realizado por cientistas do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Universidade da Califórnia, de Los Angeles e de Princeton, informa que o vírus sobrevive por até duas horas e trinta minutos no ar, após ser expelido por uma tosse [6].

Porém, quando as gotículas enviadas pelo hospedeiro ao tossir são menores, somada a um ambiente com umidade relativa baixa, o vírus tende a evaporar mais rápido para alcançar um equilíbrio de umidade3, portanto, circulará pelos ambientes (provavelmente pelos sistemas de AVAC-R) até se depositar em superfícies (o que impacta no aumento de vida do vírus) ou infectar pessoas e essa ação, segundo Taylor (2020), pode tornar este vírus alarmante [7].

Além da facilidade de multiplicação da infecção em um ambiente com umidade relativa baixa, segundo Kudo et al. (2019) é provável que a baixa umidade relativa do ar diminui a resistência do nosso sistema imunológico [8].

RECOMENDAÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DE SISTEMAS DE AVAC-R E PROFISSIONAIS DO SETOR

Com base nas informações descritas anteriormente, de notas técnicas anunciadas pelos órgãos governamentais, associações ligadas ao setor e profissionais especializados no assunto, citados nas referências bibliográficas deste documento, a escola SENAI “Oscar Rodrigues Alves” recomenda aos usuários e profissionais atuantes em sistemas de AVAC-R e

de sistemas com exaustão de banheiros as seguintes ações quanto ao funcionamento de equipamentos nos ambientes:

1.    Sistemas de climatização residencial:

  • Seguir as recomendações da NBR 16655-1:2018 e controlar abertura de janelas e portas a fim de proporcionar o controle do nível de CO₂ no ambiente interno (quando possível manter cortina em janelas e portas evitando raios solares e entrada de inseto e demais intempéries).

2.    Sistemas de climatização instalados em edifícios e  estabelecimentos comerciais:

  • Ligar e manter o sistema de renovação de ar externo, devidamente projetado, em 100% por pelo menos, 2 horas antes do início e 2 horas após o término das atividades no local, visando a diluição de poluentes;
    • Manter equipamentos de climatização ligados do início ao fim das atividades caso possua renovação de ar interno;
    • Manter o nível de CO₂ dentro dos limites estipulados por resoluções do governo [10].

OBS. De acordo com o Art. 3° da Lei n° 13.589, de 4 de janeiro de 2018, “todos ambientes de uso público e coletivo devem obedecer a parâmetros de qualidade do ar em ambientes climatizados  artificialmente” [9];

3.    Todos os ambientes climatizados:

  • Avaliar as condições de projeto, instalação e de manutenção dos sistemas de climatização junto a profissionais devidamente habilitado e/ou qualificado;
    • Reforçar as rotinas de manutenção e controle dos equipamentos de climatização e de sistemas de renovação de ar descritas no PMOC e da obtenção de laudo de análise da qualidade do ar interno conforme prevê ABNT NBR 13971 [11] e resolução RE-09 da ANVISA [10] respectivamente.

4.    Ambientes com pessoas infectadas pelo COVID-19:

  • Avaliar e identificar junto aos profissionais habilitados e/ou com qualificados a necessidade de elaboração de plano de emergência com intuito de adequar as condições do local ao do projeto, bem como atender as condições de operação e manutenção [12].

5.    Recomendações para os profissionais do setor:

  • Aplicar as recomendações previstas na NR-5, NR-6, NR-7 e NR-9;
    • Aplicar as boas práticas de Manutenção, operação e controle conforme normas e manual do fabricante;
    • Reforçar o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) como luvas descartáveis e máscaras para respiração durante as atividades;
    • Reforçar uso e limpeza dos óculos de segurança com água e sabão;
    • Higienizar as mãos antes e depois a utilização de EPIs;
    • Utilizar produtos para limpeza devidamente regularizado pela ANVISA;
    • Reforçar as ações para realizar as higienizações dos equipamentos e casa de máquinas;
    • Remover os filtros descartáveis somente por meio de sacos plásticos (evitar contato);
  • Limitar o acesso somente para pessoas autorizadas na casa de máquinas e na utilização de ferramentas e instrumentos;
  • Comunicar imediatamente o empregador e se ausentar do trabalho caso apresente qualquer sintoma de gripe ou resfriado ou outro sintoma relacionado ao COVID-19.

6.    Ambientes com sistemas de exaustão de banheiros:

  • Ligar e manter a exaustão forçada de banheiros de uso público de forma ininterrupta, conforme prevê a REHVA [4].

CONCLUSÃO

Os equipamentos de climatização nos proporcionam conforto térmico e qualidade do ar interno, contudo, as instalações devem ser bem projetadas, instaladas e mantidas por profissionais com qualificação técnica ou capacitação na área, aplicando normas e recomendações dos fabricantes, para que de maneira geral não cause nenhum impacto na saúde dos ocupantes de ambiente climatizados, como por exemplo, a pandemia do COVID- 19.

Fonte: https://abrava.com.br/wp-content/uploads/2020/04/IMPACTOS-COVID-19-AO-QAI-E-RECOMENDA%C3%87%C3%95ES-AVAC_versaofinal-1.pdf

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